Archive for Angela

Nous sommes Paris!

Nós somos Paris!

Picture via pixabay by stux

Não há palavras que descrevam o que aconteceu em Paris no fim-de-semana passado. Vamos ao invés, mantermos-nos em silêncio por um momento em celebração à vida das vítimas inocentes, vidas essas que foram tão violentamente roubadas enquanto desfrutavam de um café, um jantar ou um concerto, numa das mais belas e emblemáticas cidades da Europa. Vamos celebrar a vida de todos aqueles que a perderam em todo o Mundo, vítimas de ataques terroristas e que todos os dias continuam a fugir, a sofrer e a lutar contra essa violência indescritível.

A Equipa

Traduzido para Português por Liliana Rêgo

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Coleções e Exposições – uma relação simbiótica

Por Anne T. Lane

Installing an exhibition is teamwork. Thanks to Matt Leininger for the picture.

Expor uma coleção é um trabalho de equipa. Agradecemos a Matt Leininger pela fotografia.

Uma exposição pode ser concebida de diversas maneiras. Geralmente a ideia é o cerne inicial sobre o qual os textos e artefactos são reunidos por forma a suportar essa mesma ideia. Por vezes um artefacto, ou um conjunto de artefactos abarcam uma ideia e, o resto da exposição é desenvolvido em torno dele (s). Outras vezes, para que possa ser “à prova de bala” ou portátil, a exposição pode ser feita inteiramente por gráficos e com as imagens dos objetos que suportam a ideia. Quer os objetos sejam parte da coleção do museu ou sejam cedidos por outra instituição ou a titulo particular, o departamento das coleções torna-se parte da equação logo no inicio do processo.

Escolher os objetos candidatos entre os disponíveis é o primeiro passo da investigação – através da base de dados, ou em processo de depósito ou transferência. Uma lista de possibilidades é dada aos gestores de coleções que a apresentam ao conservador e ao designer da exposição. Cada item é avaliado de acordo com a sua capacidade de contar a história, mas também pelas suas condições de vulnerabilidade perante situações de manuseamento e exposição à luz. Por vezes pequenos aspetos como o seu tamanho ou peso são fatores condicionantes, ou se o item pode ser protegido de visitantes curiosos que não reconhecem o estrago que podem causar ao tocar na peça.
Após as escolhas feitas, segue-se uma série de passos para a preparação dos items para exposição. O relatório das condições é escrito ou atualizado e são feitas as imagens que o suportam.
Os designers da exposição devem ter conhecimento do tamanho dos expositores, bem como dos requerimentos em termos de luz para determinar a colação dos items, bem como da possível necessidade da rotação de determinados items vulneráveis. A equipa de conservadores deverá averiguar quais são as condições necessárias para assegurar o suporte e a estabilidade de cada objeto. Tanto os designers de exposição como a equipa de conservadores deverão ter um conhecimento abrangente e profundo dos materiais que poderão ser utilizados para uma exposição segura e de acordo com o ambiente e âmbito da mesma.
Isso inclui não apenas o tratamento do suporte e revestimentos, mas também substratos, tintas gráficas e adesivos.

Just in case... the registrar makes sure the lights are alright. Thanks to Abbi Kaye Huderle for the picture

Pelo sim pelo não… os registradores certificam-se que a iluminação é a correta. Obrigada a Abbi Kaye Huderle pela fotografia

A instalação é sempre um projeto em conjunto. Para que corra tudo da forma mais eficaz, todos devem estar cientes onde e quando as peças devem ser colocadas. O pessoal e os voluntários trabalham em conjunto no transporte dos artigos das reservas para as galerias, “abrindo caminho” e abrindo e fechando portas conforme necessário.
Assim que os objetos estão nas galerias, tem de estar alguém do pessoal sempre presente, certificando-se que as pessoas não autorizadas circulem por esses locais. Os expositores e o material isolador são instalados e depois a iluminação é corretamente regulada. O pessoal encarregado da exposição, poderá estar em escadotes, outros no chão, trabalhando no controlo do nível de iluminação para que os objetos sejam corretamente iluminados mas que ao mesmo tempo essa exposição não os danifique. O conforto do público é algo que também deve ter sido em conta, pois iluminação demasiado brilhante poderá ser uma grave falha. Um polimento duradouro ou umas vitrinas de plexi e uma zona aberta poderão resolver a situação.

Mesmo quando a exposição está pronta para ser exibida, o pessoal deverá verificar regularmente se as vitrinas estão limpas, que nada foi colocado fora do sítio, que os visitantes não têm acesso às peças e que a iluminação se mantém adequada. Os conservadores devem também certificar-se que não existem pragas nem qualquer manifestação das mesmas. Caso se encontre algum indício que perturbe a exposição, deverá o mesmo ser reportado ao departamento correto, pelo que deverá intervir com a menor perturbação perante a exposição e os visitantes.

Traduzido para Português por Liliana Rêgo

Este texto também se encontra em Francês traduzido por Marine Martineau, em Russo por Arina Miteva, em Italiano por Silvia Telmon.

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E de repente, eram 20…

Picture by Nico Kaiser http://www.flickr.com/photos/nicokaiser/

Picture by Nico Kaiser via flickr

A 8 de Julho anunciámos ao mundo que necessitávamos de tradutores. A reacção foi fantástica e superou todas as expectativas. Quando divulgámos o pedido, eramos apenas 4 autores, Matthew Leininger, Anne T. Lane, Fernando Almarza Rísquez e eu própria, e 3 tradutores, Liliana Rêgo, Araceli Galán and Georgia Flouda.

Em apenas uma semana e meia, a nossa pequena equipa de 7 pessoas cresceu para 20! Os novos colaboradores vieram de todas as direcções e de vários sectores profissionais.
Contamos com a colaboração das estudantes de mestrado de museologia, Patricia Melo, de Portugal, e Carolina Vaz, do Brasil.

Fico contente que tenhamos um tradutor profissional connosco: Salvador Martínez vive em Espanha e faz traduções de espanhol/francês e de espanhol/inglês como modo de vida, mas concordou em ajudar-nos de graça!

Recebemos ainda o contributo dos colegas que exercem a actividade que este blog aborda:  Maria O’Mally, Gestora de colecções e registadora no Museu Southstreet Seaport em Nova York, Lucía Villarrea, registadora de exposições no Museu do Prado em Madrid,  Cleopatra, registadora de uma colecção de fotografia no Instituto de Investigação de Folklore na Grécia, e Sylviane Vaucheret, do Departamento de Documentação do Museu Nacional da Irlanda.

Também acolhemos 2 colegas que desempenham funções próximas das nossas, em termos de filosofia, pontos de vista e objectivos: Molly Hope, conservadora de têxteis em Nova York, que já traduziu diversos conteúdos para o Museu de Têxteis de Ixchel, na Guatemala e Rosana Calderón, Conservadora Sénior no Museu Nacional de História do Instituto Nacional de Antropologia e História do México.

E estou especialmente satisfeita e orgulhosa de 4 colegas, que alargaram os seus horizontes e decidiram ajudar-nos, uma vez que o trabalho de museu resulta sempre de um esforço colaborativo e de equipa, independentemente de ser realizado na área das colecções, da educação, das exposições e/ou do marketing.

Jiska Verbouw desempenha as funções de comunicadora de ciência no Museu de Ciências Naturais em Bruxelas. Arina Miteva trabalha para a Smart Museum, uma empresa que desenvolve aplicações móveis para museus. Tegan Kehoe exerce a sua actividade no serviço educativo do Old South Meeting House, em Boston. Phineas Chauke trabalha no Departamento Regional de Marketing, do Instituto dos Museus e Monumentos Nacionais no Zimbabué. 

Com esta nova e entusiasmante equipa exploraremos novos idiomas, acrescentando holandês, francês, russo, chona e tsonga à lista daqueles que já se encontravam disponíveis nas traduções. E viajaremos para novas galáxias…ou melhor,…para novas histórias, artigos e outros conteúdos de grande utilidade para registadores, gestores de colecções e curadores de todo o mundo.

Iremos também explorar um novo meio de divulgação: o twitter. Podem seguir-nos em
https://twitter.com/RegistrarTrekPT Aqui divulgaremos os novos posts e todos os conteúdos traduzidos para português, assim como outros artigos de interesse.

Fiquem atentos!

Angela

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Investigação sobre revistas e newsletters para registadores

Recentemente, propous-me efectuar um levantamento e pesquisa de revistas e newsletters para conservadores, cujo objectivo era e continua a ser, reunir uma lista compreensiva de fontes de informação nesta temática, a nível global.

Até hoje, não encontrei nada semelhante e acredito que esta iniciativa possa contribuir para melhorar o acesso à informação, assim como as relações e os contactos entre os profissionais dos museus.

Uma vez que os registadores têm adquirido um papel cada vez mais relevante no meio museológico e desempenhado muitas das funções que anteriormente eram executadas pelos conservadores, é, na minha opinião, extremamente importante e interessante agrupar e reunir este tipo de fontes também para os registadores, possibilitando o alargamento dos seus  horizontes e permitindo que ambos os grupos relacionem ao mesmo nível.

Até ao momento em que escrevo estas linhas, existem 46 revistas listadas na base de dados que disponibilizei online. Contudo, apenas uma pequena parte dessas publicações apresenta tópicos directamente relacionados com a actividade dos registadores.

Conto com a contribuição de todos para o crescimento da base de dados, através do envio de links de recursos online e offline, os quais sejam de interesse  para a actividade dos registadores.

A base de dados está disponível em:
 
http://83.150.7.6/fmi/webd#magazines_for_conservators_and_registrars

Podem fazer o login como “guest” (“Gastkonto”), para pesquisar nos recursos já existentes, ou como “editor” e clicar em “contribuir”, para adicionar ou editar entradas.

Também me podem enviar um email para  (a.franz[at]divisual[dot]net) com as vossas sugestões e recomendações.

Muito obrigado!
Andreas Franz, dipl. Conservador FH/SKR

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O registrador: Uma estranha raça animal em risco, raramente vista

Recentemente, li um e-mail de Alana Cole-Faber, registradora das Casas de Missão Havaianas em Honolulu, Havaí, EUA. O contexto não importa, mas suas palavras eram:
“… nós que estamos, literalmente, isolados. Como em ilhas. No meio de oceanos. Onde registradores são uma estranha raça animal em risco, raramente vista.”

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Um registrados em seu habitat natural: cuidando de coleções. Agradeço a Matt Leininger pela foto.

Estive pensando e repensando essas palavras. Alana trabalha em uma ilha, então suas palavras são especialmente verdadeiras para sua situação, mas achei-as uma descrição brilhante de nosso trabalho como registradores, gestores e curadores de coleção em geral.
Às vezes, quando passo pelos corredores de nossa reserva externa, procurando um artefato que precisa ser retirado para empréstimo e está marcado no banco de dados como “localização desconhecida”, quase posso ouvir a voz de Sir David Attenborough: “A registradora se embrenha na selva de objetos em busca de sua presa. Em algum lugar no corredor um artefato senta-se com seus companheiros, sem suspeitar de nada. A registradora se aproxima. Ela observa, confere o registro e, com um movimento curto e objetivo, agarra o artefato.”

Uma olhada nos números

230213

Brincadeiras à parte, não é o registrador realmente um animal raramente visto? A maior parte de nosso trabalho é feita nos bastidores. Tão nos bastidores que estamos fora das vistas e por vezes mesmo fora das mentes da maior parte de nossos colegas. Eu comecei uma pesquisa não probabilística em grupos do LinkedIni relacionados ao campo para ver se minha experiência pessoal das condições de trabalho condizia com a realidade. A pergunta era: “Como registrador, quais são suas condições de trabalho (mais de 50% de seu tempo médio de trabalho)?” Veja o que obtive:

Felizmente, os lobos solitários, que têm que vagar sozinhos por seu território, sem ninguém ao alcance, não são a maioria. Mas, mantendo a metáfora, registradores não formam matilhas. O trabalho do registrador deve ser feito sozinho por 71%.

O eremita da reserva técnica

Registrars often work concentrated behind the scenes.Thanks to Lisa Verwys for the picture.

Os registradores geralmente trabalham concentrados nos bastidores.
Agradeço a Lisa Verwys pela foto.


Como é trabalhar sozinho? Eu gosto de citar um comentárioii de Antony Aristovoulou que esclarece a situação: “Eu raramente recebia inspeções ou sinais de interesse de meus supervisores, e isso se tornou um processo muito solitário. Os artefatos se tornaram meus amigos”. Ninguém negará que é ótimo estar sozinho na reserva técnica de tempos em tempos. Trabalhar sozinho como registrador proporciona uma liberdade de que poucas pessoas desfrutam atualmente. Dependendo da arquitetura e infraestrutura da reserva, isso pode significar nenhuma conexão com internet ou telefonia móvel. Separados do resto do mundo, em uma ilha solitária.
Quais são as consequências? Bem, há certos perigos. Primeiramente, simples perigos físicos. É necessário um plano de segurança para os que trabalham sozinhos. Geralmente, aquele que é forçado a trabalhar sozinho sempre deve ter uma forma de pedir ajuda e assistência. Deve-se ter certeza de que seja identificado quando ele ou ela está em uma situação na qual não seja possível pedir ajuda. Formas possíveis: Rotineiramente contatar a pessoa por telefone para verificar se tudo está bem. Um telefone celular sempre com ele ou ela (supondo que haja sinal de telefonia móvel) Um procedimento de segurança que certifique que a pessoa não seja trancada na reserva técnica. Rondas extras dos seguranças. Tudo isso deve ser organizado antes de alguém começar a trabalhar sozinho.
Mas há outros perigos em se trabalhar sozinho, menos óbvios. Há grandes chances de ninguém pensar naquele que trabalha na reserva quando todos vão almoçar. Informações importantes nas instituições são frequentemente passadas no intervalo do café. Pessoas que não recebem respostas ou não têm a possibilidade de trocar experiências com seus colegas tendem a se tornar solitárias. É tarefa do próprio registrador evitar o isolamento total, participando da comunidade do museu. Mas é também tarefa dos colegas não esquecer daquele na reserva técnica. Por último, mas não menos importante, é tarefa daqueles responsáveis pela organização do trabalho do museu criar possibilidades de troca entre os membros da equipe. Pode ser a única forma de os registradores não se tornarem o “estranho ser da reserva”, mas permanecerem como colegas. Tudo bem, que seja “o colega com o trabalho estranho”, mas ainda assim: o colega.

Aquele que acaba com a diversão

Giving clear directions of what to do and what not is part of the job.Thanks to Zinnia Willits for the picture.

Dar instruções claras sobre o que fazer e o que não fazer é parte do cargo.
Agradeço a Zinnia Willits pela foto.

Os números mostram porquê tantos registradores se sentem isolados, mesmo em equipe. Isso tem muito a ver com o trabalho que o registrador deve fazer. Ele ou ela deve cuidar do bem-estar dos objeto da coleção. Isso inclui frequentemente dizer “não” a empréstimos ou eventos no museu. Se o diretor da instituição quer dar uma grande festa nas galerias, o registrador tem que defender sua posição dizendo que comidas e bebidas não podem ser incluídas. Se a equipe de marketing quer buscar grupos escolares com um ônibus escolar antigo, o registrador certamente deve dizer que é impossível. Se uma instituição parceira quer tomar emprestada uma bandeira e planeja pendurá-la na entrada da exposição sem proteção, o registrador pode apenas balançar a cabeça em negação. Ele ou ela age como um defensor dos artefatos, que não têm voz própria. Apesar de no papel todos os membros da equipe serem responsáveis pela preservação dos objetos para o futuro, o fardo geralmente cai nas mãos do registrador. Mas o registrador não é o diretor da instituição. Normalmente, ele ou ela não é nem o chefe do departamento. Isso quer dizer que, apesar de a responsabilidade estar em suas mãos, sua decisão pode não ser a decisão final. Isso aumenta a sensação de isolamento.
Para os membros da equipe, é o contrário. Curadores têm grandes ideias para exposições vindouras. Designers têm novas ideias para a apresentação dos artefatos. As pessoas do marketing pensam intensamente em como atrair visitantes. E o registrador vem e apenas diz “não” para suas ideias. É claro que para eles os registradores parecem animais estranhos! Eles são os que acabam com a diversão! Mas a dolorosa verdade é: esse é o trabalho. Se o registrador tem sorte, há também conservadores na equipe para apoiar suas opiniões. De outra forma, ele ou ela pode apenas apontar as políticas e padrões (o que é bastante chato para o resto da equipe) ou apresentar casos em que as coisas deram errado porque ninguém deu ouvidos ao registrador (o que é mais interessante, mas não necessariamente mais convincente). No fim das contas, o registrador não pode fazer mais do que declarar sua opinião e documentar todo o processo de decisão por segurança.

Uma espécie em risco?

High-quality work is important - and needs enough time and money. Thanks to Sharon Steckline for the picture.

Trabalho de qualidade é importante – e precisa de tempo e dinheiro suficientes.
Agradeço a Sharon Steckline pela foto.


Então, seria o registrador uma espécie em risco? Bem, o registrador pode não estar mais em risco do que qualquer outro profissional de museu atualmente. Quando a verba é curta, as instituições culturais são as primeiras olhadas com reprovação pelas autoridades. Mas, do meu ponto de vista, isso não se limita à gestão de coleções. Políticos tendem a perguntar se certos museus podem funcionar com menos pessoas ou se são mesmo necessários. De fato, muitas instituições em países que não os EUA apenas recentemente se deram conta do trabalho dos registradores e criaram mais vagas na área. Mas esse é apenas um lado da história.
Um outro lado é que a qualidade de nosso trabalho está realmente em risco. Quando a verba é curta, é difícil decidir sobre o destino do dinheiro. E normalmente, quem não chora não mama. Registradores, treinados para agir da forma mais discreta possível, frequentemente não são ouvidos em seus pedidos por material e mão-de-obra. Mas, novamente, esse é apenas um lado da história.
Em muitos museus menores, os recursos são tão escassos que a decisão não é entre caixas de arquivo para armazenamento da coleção ou publicidade em jornal, mas entre consertar o telhado ou montar uma exposição. Nesses casos, recursos humanos são um grande problemaiii. Aí, o cargo pode se chamar “registrador”, mas abarca muito mais. Ele ou ela pode ser também guia de visita, gerente de reclamações, vendedor, caixa e curador ao mesmo tempo. Isso geralmente significa que essa pessoa não pode investir tanto tempo quanto necessário na gestão da coleção.
Outros museus decidem que não podem bancar um registrador na equipe permanente. Eles contratam registradores autônomos quando urgentemente necessário. Essa é uma boa ideia na hora de planejar novas áreas de reserva, fazer uma consultoria sobre organização dos registros, garantir a segurança de artefatos em uma exposição temporáriaiv ou fazer o inventário de determinada coleção. Contudo, se uma instituição possui uma coleção que ultrapassa certo número de objetos (não é fácil estabelecer um limite, isso depende também do tipo de coleção e de seu “uso” pela instituição), a gestão da coleção é um trabalho de tempo integral. A ideia de deixar um registrador fazer o inventário de uma coleção e depois “alguém cuidar disso paralelamente a suas tarefas normais” ou “toda a equipe cuidar da coleção” não funciona.
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Qualidade no trabalho museal é sempre um esforço conjunto. Trabalho em equipe é fundamental. Agradeço a Matt Leininger pela foto.

Um registrador é mais do que um banco de dados humano. Se você tem informações absolutamente precisas de todos os itens da coleção no banco de dado (cite um museu que tenha!), não quer dizer que continuará a ter. Manter registros dos objetos é um esforço permanente. Ter todas as informações corretas no banco de dados, também. Você pode fazer todos os membros da equipe jurarem sempre documentar todos os movimentos dos objetos no banco de dados, ainda assim Santa Entropia fará bagunça em sua reserva técnica! Um bom registrador ficará de olho nisso. Mas isso vai além. Como em toda biblioteca, alguns objetos “somem” ao serem guardados no lugar errado. Um registrador familiarizado com sua coleção terá uma ideia de onde procurar por ele – baseado em sua experiência e no conhecimento de quem manuseou o objeto recentemente. Não se esqueça de que normalmente você não contrata apenas um registrador – você contrata uma memória de elefante! Finalmente, um registrador responsável por uma coleção por um longo tempo se fundirá de alguma forma com sua coleção e reserva técnica. Ele ou ela desenvolve algo como um sexto sentido para coisas erradas: um aumento incomum na humidade antes de alguém conferir o higrômetro, um objeto que simplesmente parece diferente, uma voz dizendo ao registrador para dar mais uma volta na reserva externa antes de partir… É algo que se desenvolve com o tempo. Não acontece com contratos de curta duração, de alguns meses ou um ano.

Conclusões

Como vimos, o registrador é de fato um animal raramente visto. Não deixá-lo tornar-se um animal em risco é um esforço coletivo:

  • Como indivíduos: Todos que trabalham no museu devem cuidar para que o registrador esteja seguro durante seu trabalho solo e não fique isolado do resto da comunidade museal.
  • Como profissionais: Todos os colegas precisam entender qual é o trabalho do registrador. Não é que ele ou ela queira acabar com a diversão, é seu trabalho proteger os objetos para que outros também possam aproveitá-los no futuro.
  • Como instituição: as autoridade devem refletir sobre o valor da gestão profissional de coleções. É senso comum que conservação preventiva e armazenamento profissional diminuem custos a longo prazo. Economizar aqui pode resultar em altos gastos mais tarde.
  • Como sociedade: políticos, comunidades e cidadãos em geral deveriam pensar sobre o valor dos museus e suas coleções. Todos nós sabemos que uma pessoa que perde a memória perde a si mesma. O mesmo vale para a sociedade que perde sua história. Preservar nosso patrimônio não é uma questão apenas de custo, tem um grande valor para a sociedade.

Apenas alguns pensamentos sobre o assunto. Agora preciso ir, preciso vagar por meu território. Acho que vi objetos não documentados naquele corredor…

Angela Kipp

Traduzido para Português por Carolina Vaz

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Mídia digital, Didática universtária y antropofagia cultural: Reflexões de uma professora latina no exílio

Janeiro de 2013

“Se você não conhece a resposta, discuta a pergunta” (Clifford Geertz)

O ’nativo’ em linguagem antropológica é um ser local, aquele que pertence a terra e que é o primeiro habitante de um lugar, enquanto o ’imigrante’ é um estranho ou estrangeiro, aquele que veio de fora para tomar o lugar do nativo ou para ocupar seu território. É como um filme hollywoodiano de comanches e cow-boys, no qual o índio é encenado por Elvis Presley e sua mãe indígena por uma latina como Dolores de Los Rios!
É interessante notar que a linguagem da cibercultura ou do ciberespaço emprega, portanto, as noções reificadas pela cultura ocidental sobre colonialismo e imperialismo: neste novo contexto cyber, o ‘nativo’ é aquele que já nasceu no interior de uma ordem digital e que portanto raciocina de acordo com tal lógica, enquanto o ‘imigrante’ é aquele que está se deslocando da cultura livresca medieval-renascentista para a cibercultura e que, por este motivo, ainda mantém um pé lá e outro cá.
Como fica tal cultura do ciberespaço se pensarmos no grande número de analfabetos gramaticais e digitais da América Latina? Néstor García Canclini, em livros como ’Diferentes, Desiguais e Desconectados’, Editora UFRJ, 2005, explora as contradições de populações indígenas sul-americanas utilizarem o Internet sem ao menos terem sido alfabetizadas! Enquanto antropóloga e educadora, esta parece ser uma questão pertinente para ser aqui discutida: como entrar na era digital, de caráter internacional ou global, sem perder as referências regionais da cultura brasileira, inspirando-me aqui na postura da ‘antropofagia cultural’ de Oswald de Andrade?
De forma a estimular meus alunos a desenvolver o senso crítico que é o objetivo de toda educação universitária, venho desenvolvendo um produto de criação visual em Arte-Educação, no qual abordo a relevância de se devorar criticamente a cibercultura e devolvê-la retransformada, de acordo com uma linguagem local ’nativa’. Parece-me que esta questão precípua e pertinente não é nunca enfocada ao se falar sobre cibercultura: será que todos os estatutos culturais ali apresentados, aparentemente de forma ’democrática’, adquirem a mesma preponderância sócio-econômica ao serem deglutidos?
Como, então, inserir um contexto de ‘devoração crítica’ junto aos alunos, ou seja, como despertar neles um senso estético (no sentido platônico) das idéias? Como fazê-los separar o joio do trigo em meio à barafunda e ao caos da mídia digital, a qual é inevitavelmente perpassada pela lógica capitalista, imperialista e colonialista do primeiro mundo europeu e norte-americano?
Questões filosóficas e humanistas de primeira ordem, companheiros: será que o que pensa o ‘nativo digital’ típico é relevante, pertinente, política e eticamente correto e pode contribuir para mudar o mundo para melhor? Ou, mais importante ainda, qual é a real contribuição didática que o saber erudito do professor pode fazer em relação à maioria da subinformação veiculada pela mídia digital nos dias de hoje?

Professora-Doutora Dinah Papi Guimaraens, Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal Fluminense e Diretora Fundadora Associada do Museu de Arte e Origens, NYC (Doutora pelo Programa de Pós- Graduação em Antropologia Social – Museu Nacional – UFRJ e New York University – Museum Studies Program / Fulbright Scholar; Pós-Doutora, Department of Anthropology, University of New Mexico, E.U.)

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